Por Janaína Andrade |
A sobretaxação dos Estados de Unidos em produtos de grandes países, como a China, pode representar uma oportunidade de ganhos de mercado para a Zona Franca de Manaus (ZFM) se o estado souber negociar com outros parceiros comerciais. A avaliação é do governador do Amazonas, Wilson Lima (UB).
Em entrevista ao programa Manhã de Notícias, da TV Tiradentes, na quinta-feira, 3, o governador informou que solicitou da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazendo) e da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação) um estudo do impacto econômico do “tarifaço” anunciado pelo presidente norte americano.
“Eu pedi para que fizesse uma avaliação já pela minha Secretaria de Fazenda e também pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento. A gente provavelmente tenha mais oportunidades do que prejuízos com isso, porque é o seguinte: é claro que a gente deve ter dificuldades com o aumento no mercado interno de alguns produtos no comércio, por exemplo. Mas nessa briga entre Estados Unidos e China, a China usa também os Estados Unidos como centro de distribuição de alguns produtos dele”, disse Wilson.
“E a gente pode abrigar aqui na Zona Franca de Manaus essas empresas, porque aqui a China vai encontrar mais campo fértil de competitividade do que nos Estados Unidos. Da mesma forma que os Estados Unidos importa produtos da China, como por exemplo ser produtos que nós podemos ser fornecedores dos Estados Unidos”, avalia o governador.
O governador reconhece que a medida de Trump causa impacto em todo o mundo e que não há como se esquivar, mas reitera que a crise aberta pela guerra de tarifas gera oportunidades que podem ser aproveitadas pelas exportações brasileiras.
“A gente deve sentir, mas eu entendo que as oportunidades aqui serão muito maiores do que os prejuízos que a gente deve ter”, concluiu.
Reciprocidade comercial
Após o anúncio de Trump, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (2), o Projeto de Lei 2.088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global. Agora, o texto segue para sanção presidencial.
O governo brasileiro não descarta a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço, informaram os ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No entanto, a prioridade neste momento é negociar a reversão das medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos.
*Com informações da Agência Brasil